Ivete irradia simpatia – mas também tem língua afiada e uma boa dose de espírito competitivo. As farpas aparecem de repente numa conversa com ela. "Wanessa Camargo me disse outro dia que me vê pouco na balada. Mas nos dias em que ela sai eu normalmente estou fazendo shows", diz a cantora, sugerindo que a carreira da colega não anda assim tão agitada. Ao falar dos cuidados com a voz, ela revela um segredo da amiga Daniela Mercury: "Eu freqüento uma fonoaudióloga. Recomendei a moça para todas as cantoras da Bahia, inclusive para a Daniela, que é fumante". Se o assunto é o namoro que o guitarrista Davi Moraes, seu marido, teve com Marisa Monte, Ivete deixa transparecer uma pontinha de ciúme e dispara: "Ele nem se lembra mais das músicas que tocou com ela".
Alta, despachada e de voz forte, Ivete já foi alvo de fofocas dizendo que seria lésbica. "Quando eu a encontrei pela primeira vez e ouvi aquela voz, pensei: 'Xiii, essa moça é do babado'", diz Raimundo da Rocha Espinheira Júnior, o Dito, que hoje é secretário pessoal da cantora. Ivete não se irrita com o assunto, mas é categórica: "Meu negócio é homem". Ela já viveu com o percussionista Alexandre Lins, hoje diretor musical de seus shows, e teve um namoro com o apresentador Luciano Huck. O romance com Davi Moraes engatou há três anos, quando eles descobriram que, além de atração física, tinham alguns gostos e desgostos em comum. Os livros, por exemplo, foram tema de um dos primeiros passeios do casal. "A gente tinha dado uns beijos, mas ainda não estava nada certo. Então eu perguntei para Davi: 'Você lê?'. Como ele titubeou, fui logo dizendo: 'Eu não leio. Não vem com papo furado de Clarice Lispector que não cola!' Aí ele confessou que também não curtia ler", conta a cantora. A música, obviamente, é uma paixão comum, mas Ivete acha que o amado descuida da carreira. "Às vezes eu interrompo uns amassos para chacoalhar o Davi e dizer que ele precisa divulgar o trabalho dele."
Ivete nasceu em Juazeiro, a mesma cidade natal do cantor João Gilberto. Começou a treinar o ouvido na infância, com o pai seresteiro. Ainda menina, teve sua primeira experiência como intérprete num programa infantil da apresentadora Mara Maravilha. "Ganhei uma boneca e um ano de picolé grátis numa sorveteria de Salvador. Fiquei com o beiço duro de tanto chupar sorvete", diz ela, na mais pura descontração ivetiana. A família começou a ter problemas econômicos na época em que Ivete entrou na adolescência. Seu pai morreu quando ela tinha 15 anos. Um ano mais tarde, um de seus cinco irmãos morreu atropelado e a mãe começou a sofrer de psicose maníaco-depressiva. Para ajudar nas contas da casa, Ivete primeiro vendeu marmitas, depois foi cantar em bares e, finalmente, entrou no circuito do Carnaval em Salvador. Em 1992, foi contratada pela Banda Eva, uma expoente da axé music. Lançado em 1997, o disco ao vivo desse grupo está entre os mais vendidos da história do mercado fonográfico no Brasil. No entanto, Ivete lucrou muito pouco com o sucesso da Banda Eva. Não ganhava mais do que 3.000 reais por show e vivia à beira da estafa. Em 1999, finalmente partiu para a carreira-solo, que hoje atinge o seu auge. A maior preocupação de Ivete no momento é manter a forma física. Sua família é de obesos e ela herdou problemas como refluxo gástrico, além de viver em luta com a balança – atualmente, está um pouco acima do peso ideal. Para manter a forma e tornear as pernas (que são sua marca registrada), ela faz três horas diárias de ginástica na academia que montou em casa. Evita doces e guloseimas, embora raramente resista a um churrasco. Há indícios, porém, de que pode sacrificar em breve a silhueta e as noites no palco por um projeto diferente. Atualmente, Ivete Sangalo não pode ver uma criança que se derrete toda. "Pensamos em aumentar a família", afirma Davi Moraes.
quinta-feira, 10 de maio de 2007
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